Em 1976, a 30 de Junho, a fusão das 14 companhias deu origem à EDP, com o objectivo de estabelecer e explorar o serviço público de produção, transporte e distribuição de energia eléctrica no território do continente, para "promover e satisfazer as exigências do desenvolvimento social e económico de toda a população" (Decreto-Lei nº 502/76).
A AREP – Associação de Solidariedade Social dos Trabalhadores e
Reformados da EDP e da REN é uma instituição particular de
solidariedade social (IPSS) com quase quatro décadas de atividade em Portugal, sem fins lucrativos, focada no apoio aos seus
associados.
História e Resumo:
Fundação e Missão: Oficializada a 18 de junho de 1986, a AREP
dedica-se ao apoio social, saúde e cultura para trabalhadores e reformados da
EDP e REN, promovendo o envelhecimento ativo.
Funcionamento: Baseia-se no voluntariado exclusivo.
Evolução: Comemorou 35 anos em 2021 e o 37º aniversário em 2023.
Estrutura: Conta com Direção Central em Lisboa e delegações, organizando
encontros e protocolo
Aqui está um resumo da sua história e propósito:
Fundação: Foi legalizada por escritura pública a 18 de junho de 1986 (publicada
em Diário da República a 18 de julho do mesmo ano). O sócio n.º 1 foi José de
Queiroz Monteiro Ralha.
Missão: Apoiar trabalhadores e reformados do grupo EDP e da REN,
bem como os seus cônjuges, em áreas como solidariedade social, saúde e
cultura.
Modelo de Gestão: A associação privilegia o voluntariado como forma
exclusiva de assegurar as suas atividades. Tanto a Direção Central como as
Delegações Regionais são compostas por dirigentes eleitos que trabalham de
forma voluntária.
Evolução e Marcos:
O sócio n.º 1 foi José de Queiroz Monteiro Ralha.
Em 2021, a associação celebrou os seus 35 anos de
atividade. de serviço, focando-se no apoio social e no envelhecimento ativo.
Atualmente, prepara a celebração dos seus 40 anos com um
grande encontro nacional. reforçando o seu papel na mobilização dos associados
para atividades recreativas e formativas.
Atuação: Organiza regularmente eventos como visitas culturais (ex: museu Quake),
almoços de convívio regionais e programas de apoio à saúde, como a articulação
com a Linha Única da EDP Sãvida.
Para mais detalhes sobre a organização atual, pode consultar o site oficial da AREP.
Deseja saber mais sobre os benefícios para associados ou
como encontrar a delegação mais próxima da sua área?
Missão e Atuação
A associação foca-se no apoio aos associados e cônjuges em três áreas
fundamentais:
Solidariedade Social: Apoio a quem mais precisa e combate à exclusão.
Saúde: Protocolos de apoio e parcerias, como descontos em serviços de apoio domiciliário.
Cultura e Lazer: Promoção de um envelhecimento ativo através de visitas
culturais, almoços de confraternização e voluntariado.
A AREP funciona essencialmente através de uma base de voluntariado,
incluindo os seus próprios órgãos diretivos.
Gostaria de saber mais sobre as delegações regionais ou
como se tornar sócio da AREP?
Recuando três décadas e meia no tempo, até ao século
passado, a termoelétrica a carvão
começou a ser construída em 1979 e entrou em funcionamento em 1985, foi o
maior centro produtor de energia no país, e convencional que utiliza como combustível o
carvão fóssil importado.
Foi constituída por quatro grupos, cada um dos
quais formando uma unidade produtora autónoma com gerador de vapor, turbina,
alternador e transformador.
A decisão da sua construção insere-se na
estratégia de diversificação de fontes de energia primária para a produção de
energia eléctrica, após as crises petrolíferas de 1973 e 1979 que provocaram um
enorme aumento nos custos dos produtos petrolíferos.
Iniciada a sua construção em 1979, ficou esta
concluída em 1989, tendo o primeiro grupo entrado ao serviço em 1985.
A potência total instalada é de 1256 MW, 4
grupos de 314 MW, com um consumo unitário de 116 t/h à carga nominal com carvão
de 27600 kJ/kg, o que em laboração permanente pode atingir um consumo total
diário de cerca de 11000 toneladas de carvão.
O abastecimento de carvão é feito a partir do
cais mineraleiro do porto de Sines, por tapete transportador coberto até ao
parque de carvão, cuja capacidade de armazenagem de 1.5 milhões de toneladas é
equivalente a 5 meses de funcionamento da Central a plena carga.
A energia eléctrica produzida na Central é
lançada na rede de transporte através de linhas de alta tensão, a 150 kV para o
1º grupo e a 400 kV para os restantes grupos.
A Licença de Estabelecimento foi concedida em
Março de 1981 tendo a entrada em serviço industrial ocorrido em 1985, 86, 87 e
89, respectivamente para os 4 grupos
Produziu 294 TWh de energia ao longo da sua
vida, chegando a abastecer um terço da população. tendo destronado a unidade a
fuelóleo da EDP em Setúbal (que chegou a abastecer 25% do consumo nacional) como a
maior central de produção de energia em Portugal. Construir a central de Sines custou 650
milhões de euros (a preços de 1983).
Na altura as preocupações climáticas estavam ainda bem longe:
Portugal queimava 5.280 toneladas de fuelóleo por dia para garantir o
abastecimento de energia elétrica ao país. Mas as crises
petrolíferas da década de 70 fizeram entrar o carvão em cena para assegurar um nível de
“potência instalada” no país necessária à satisfação dos consumos nacionais
e permitir a diversificação das
fontes de energia primária.
Depressa, um terço da energia elétrica consumida em Portugal
passou a vir de Sines, e do carvão: 29% nos anos 90, 20% na década de 2000
e 15% na década de 2010. Em 2020 o carvão foi responsável por apenas 4% da
eletricidade produzida em Portugal. A central de Sines tem 4 grupos geradores.
Inicialmente cada grupo tinha 300 MW de potência, reforçada mais tarde para 314
MW, somando um total de potência instalada de 1.256 MW e de produção (potência disponível/emissão
para a rede nacional) de 1.180 MWh.
Ao longo da sua vida, a maior central de produção de energia do
país produziu 294 TWh, tendo
emitido para a rede nacional 274 TWh (5,5 vezes o consumo nacional do ano de
2019, segundo dados REN), o que equivale a abastecer uma população de 60
milhões de pessoas durante um ano.
Já o parque
de carvão tinha capacidade para cerca de 1,3 milhões de toneladas. A central
recebia 24 a 25 navios de carvão por ano. Ao longo da vida da central foram
consumidas (e passaram pelo parque de carvão) 105 milhões de toneladas,
o equivalente a 699 navios de 150 quilotoneladas. Cada tonelada de carvão dava para produzir
cerca de 2,7 MWh, diz a EDP, a mesma energia que permite, por
exemplo, numa hora manter acesas 273.043 lâmpadas LED com 10W de potência.
O carvão que abastecia Sines e as casas dos portugueses com
eletricidade vinha da Colômbia (60/70%) e dos EUA (5/10% – sendo que
ultimamente chegou aos 20%, após o impacto do shale gas que permitiu aos EUA comercializar
carvão de melhor equilíbrio técnico/ambiental/económico). O restante provinha
da África do Sul ou Rússia e, em anos anteriores, também da Indonésia, mas com
o conflito com Timor-Leste esse carvão deixou de fazer parte do cabaz de
aquisições.
Apesar de responsável por 15% das emissões poluentes de
Portugal, a EDP garante que “a central
cumpriu sempre os seus compromissos de sustentabilidade e,
após vários investimentos em tecnologia e sistemas de proteção ambiental – que
somaram mais de 400 milhões de euros investidos ao longo dos anos – tornou-se
numa das mais eficientes centrais a carvão na Europa”.
EDP
promove exposição sobre os últimos dias da Central de Sines
“Histórias de um passado
recente” conta como foram os últimos meses da central a carvão. Exposição
promovida pela EDP para celebrar as pessoas que fizeram a sua história nos
últimos 35 anos abre ao público hoje, em Sines.
As memórias recentes da maior central termoelétrica do país
estão no centro da exposição de fotografia que abre as portas ao público esta
sexta-feira, 23 de julho, no centro da cidade de Sines. Ao longo de dezenas de
imagens registadas pelo fotógrafo Paulo
Coelho nos últimos meses de operação da central da EDP, é
possível descobrir ou revisitar o espaço industrial onde trabalhadores,
máquinas e carvão produziram energia durante mais de 35 anos.
A exposição ‘Histórias
de um passado recente’ – organizada pela EDP Produção com o
apoio da Câmara de Sines – é assim uma homenagem a todos os que fizeram parte
da vida desta central e à comunidade onde se estabeleceu ainda na década de
1980. Com curadoria de Hugo
Dinis, a mostra de fotografia poderá ser visitada no
espaço da Capela da
Misericórdia, junto ao Castelo de Sines, até ao dia 23 de
outubro.
Desde as caldeiras gigantes ao labirinto de tubos e aparelhos de
controlo, passando pelas montanhas de carvão e as imponentes chaminés, com 225
metros de altura, que ainda marcam a paisagem de Sines, são muitas as imagens e
referências que se podem ver nesta exposição – em todas elas, as pessoas são
figuras centrais e a principal motivação para recordar o seu trabalho e
contributo.
Inaugurada em 1985, a Central Termoelétrica de Sines foi o maior
centro produtor de energia no país: produziu 294 TWh de energia ao longo da sua
vida, chegando a abastecer um terço da população. Famosa também por contribuir
para as águas quentes da praia de São Torpes – devido à proximidade da saída de
água do mar usada para refrigerar a central – encerrou em definitivo no passado
dia 15 de janeiro. A decisão de fecho, enquadrada na estratégia de descarbonização da
EDP e alinhada com as metas de transição
energética do país, foi tomada num contexto em que a
produção de energia depende cada vez mais de fontes renováveis.
A Capela da Misericórdia de Sines reabre ao público com esta
exposição de fotografia, após obras de restauro promovidas pela Santa Casa da
Misericórdia de Sines e financiada por fundos comunitários, com o apoio da
Câmara de Sines. Com mais de quatro séculos de história, este património é
agora um espaço cultural privilegiado enquadrado no grande eixo que liga o
Centro de Artes ao Castelo/ Museu de Sines onde acabaram de ser inaugurados os
espaços da Casa Forte e a Fábrica Romana.
“Histórias de um passado recente - Central Termoeléctrica de
Sines “
Fotografia: Paulo Coelho
Curadoria: Hugo Dinis
Local: Capela da Misericórdia de Sines
Datas: de 23 de julho a 23 de outubro de 2021
Horários: 10h-13h / 14h30-18h (encerra às segundas)
Acesso: gratuito – condicionado a regras de proteção Covid (uso
obrigatório de máscara e desinfeção de mãos)
Curador Hugo Dinis
Hugo Dinis (Lisboa, 1977) licenciou-se em Artes Plásticas –
Pintura (1998/2004), na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa.
Realizou a Pós-graduação em Estudos Curatoriais (2005/06), na mesma faculdade e
na Fundação Calouste Gulbenkian.
Venceu o Prémio de Curadoria do Atelier-Museu Júlio Pomar/EGEAC
2016, com o projeto Estranhos dias recentes de um tempo menos feliz (2017).
Comissariou a exposição Eu (título em construção) (2015), Espaço
Novo Banco, Lisboa. Comissariou a exposição intitulada Desedificar o homem
(2008), Galeria Municipal Paços do Concelho, Dois paços Galeria Municipal e
Transforma em Torres Vedras, no âmbito do projeto itinerante Antena da Fundação
Serralves, Porto. Comissariou, conjuntamente com Emília Ferreira, a exposição
individual Encontro às Cegas (2020) de Pedro Gomes, Museu Nacional de Arte
Contemporânea (MNAC), Lisboa. Realizou a curadoria da exposição individual Bela
e Má (2019) de Ana Vidigal, Museu Leopoldo de Almeida, Caldas da Rainha.
Trabalhou como assistente na Galeria 111 (2008/11) e na Galeria
Filomena Soares (2011/16), ambas em Lisboa. Colaborou como produtor,
investigador e curador no Atelier-Museu Júlio Pomar/EGEAC (2017/19).
Desde 2020, trabalha na Culturgest como assistente de produção
da Coleção da Caixa Geral de Depósitos.
Paulo Alexandre Coelho
Paulo Coelho (Cascais, 1981) licenciou-se na Escola Profissional de Comunicação
e Imagem. Tem o curso profissional de Técnicas Audiovisuais (EPCI). Henri
Cartier-Bresson e James Nachtwey foram a sua inspiração e influência na decisão
de se dedicar ao fotojornalismo.
Iniciou a sua carreira profissional no Diário de Notícias, esteve no jornal
desportivo "O Jogo" e, em 2006, é convidado a integrar os
quadros do extinto Semanário Económico. De 2009 a 2016, pertenceu à equipa de
fotografia do Diário Económico.
Realizou em parceria com a AMI (Assistência Médica Internacional) um projeto
fotográfico sobre o arquipélago dos Bijagós, na Guiné Bissau, que resultou numa
exposição, que esteve patente em Lisboa, Porto e Monforte (2009).
Em 2017, participou da exposição coletiva “Uma imagem
solidária”, onde o valor da venda de fotografias foi doado aos Bombeiro
Voluntários de Castanheira de Pêra.
Participou na exposição coletiva com o tema “trabalho”,
organizada pelo Sindicato de Jornalistas, no teatro São Jorge (2019). Esta
exposição fez parte do programa do congresso dos jornalistas, e foi inaugurada
pela Sua Excelência Senhor Presidente da República, Professor Doutor
Marcelo Rebelo de Sousa.
Evoluçao da Marca ou Logotipo da EDP desde 1978 ate 1993
EDP em 2022 apresenta nova imagem inspirada na transição energética
A EDP mudou de imagem, substituindo o logótipo
vermelho que foi sinónimo da marca nos últimos onze anos.
Sob o mote "a mudar, já hoje, o amanhã", a empresa diz que quer
"falar a uma só voz", e substitui o símbolo vermelho (que assumia, em
função do contexto, pequenas variações) por um único desenho: uma espiral que
transita de verde para azul, com o nome da companhia colocado ao lado do ícone,
em letras minúsculas estilizadas.
Foi perante uma plateia de mais de uma centena de colaboradores da
empresa reunidos no Museu da Eletricidade, em Lisboa (e com transmissão em
direto para os outros 13 mil funcionários da companhia) que o CEO da EDP
apresentou a nova imagem. Por coincidência, exatamente 5 anos depois das buscas
na empresa que mais tarde haveriam de ditar a saída da empresa do então líder
António Mexia.
Num local (a antiga Central Tejo, que durante
décadas forneceu energia à região de Lisboa e foi convertida em museu) que
Miguel Stilwell considerou "apropriado" para o evento, que representa
um "passo em frente" na transformação da energética, que quer
"acelerar a concretização da ambição de liderar a transição energética e
crescer enquanto companhia global".
Stilwell garante que a EDP "continua a ver
com preocupação os desafios que o mundo enfrenta" e realçou que "sem
alterações estruturais na forma como vivemos, será impossível limitar o aumento
da temperatura", o que vai tornar "imprevisível" a vida no
planeta".
Os efeitos da guerra na Ucrânia não ficaram
esquecidos: "Como se as alterações climáticas não fossem
suficientes", continuou o presidente executivo da EDP, "a crise
energética e humanitária que o mundo vive há vários meses não deixa dúvidas que
a dependência dos combustíveis fósseis provoca instabilidade e aumento de
preços e pode ter um impacto muito negativo na vida das pessoas". "O
conflito", lamentou, "piorou uma crise energética que enfraquece as
nossas economias, aumenta a desigualdade social, provoca instabilidade em todo
o mundo e enfraquece quem depende de matérias-primas" da Ucrânia e da
Rússia.
Para Miguel Stilwell, "não há dúvida
absolutamente nenhuma" que precisamos de "mais investimento em fontes
limpas de energia". "Já não é apenas uma questão de atingir metas ambientais,
é uma questão de independência energética e também de custos".
"À medida que a companhia evolui, a nossa
identidade gráfica tem de acompanhar", explicou a empresa no evento.
A decisão é tomada depois da empresa ter
"reforçado o compromisso com a transição energética, assumindo um
investimento de 24 mil milhões de euros até 2025", assegurou a EDP.
Que saudades! Uma
vez demos corpo a uma campanha publicitária criada para o lançamento de um novo
logotipo da EDP. A loja do Marquês de Pombal representada por nós, o António
Favinha, a Ana Rego e eu. Tempos fabulosos, uma equipa incrível que vestia a camisola
e dava tudo para vender a imagem de uma empresa próxima dos seus clientes e
disponível para arranjar as melhores soluções para todos. E estávamos lá, de
coração.
Publico aqui uma foto minha ainda ao serviço da EDP nos idos de 2010 ou
2011
O Clube do Pessoal da EDP, foi fundado em 24 de
Novembro de 1976, e resultou da fusão dos vários CAT’S e Clubes existentes nas
Empresas Eléctricas que constituíram a EDP.
Logo as suas raízes encontram-se muito mais atrás no
tempo, uma vez que, nas Empresas fusionadas na EDP, já existiam estruturas
idênticas, como é o caso da Hidroeléctrica do Cávado, Hidroeléctrica do Zêzere,
Companhia Nacional de Electricidade. Hidroeléctrica do Douro, Empresa
Termoeléctrica Portuguesa, que se fundiram em 1969, na Companhia Portuguesa de
Electricidade, e das Companhias Reunidas de Gás e Electricidade, Companhia
Eléctrica das Beiras, Empresa Hidroeléctrica da Serra da Estrela, Electra del
Lima, União Eléctrica Portuguesa, Hidroeléctrica do Alto Alentejo, Chenop e
outras.
A sua Sede é na Cidade do Porto e isso resulta de ter
sido no Norte do País onde existiam mais profundas raízes e maior implantação,
pois, praticamente desde que se iniciou a construção de aproveitamentos
hidroeléctricos em 1945, foram criadas funções de entretenimento dos seus
Associados, que permitiam esquecer o isolamento geográfico e cultural a que,
naquela altura, os Trabalhadores estavam sujeitos, ou seja, afastados dos
grandes centros urbanos.
O Clube EDP tem, actualmente, à volta de 70
Delegações, distribuídas por todo o Território Nacional, e, aproximadamente
15.000 Associados, que inclui algumas centenas de Trabalhadores da Rede
Eléctrica Nacional, aos quais proporciona a prática de actividades culturais,
desportivas, recreativas, sociais, e é gerido por uma Direcção, que representa
o Clube.
Logotipos
utilizados pelo Clube ao longo destes 46 anos
A EMPRESA PROPRIETÁRIA DA CENTRAL TEJO, A COMPANHIAS REUNIDAS DE
GÁS E ELECTRICIDADE, SOBREVIVEU ATÉ À NACIONALIZAÇÃO EM 1975
Portugal era, no princípio do século XX, um país fortemente
dependente das importações de carvão britânico, a chamada "hulha
negra". Com as paragens de fornecimento durante as guerras, a solução foi
aproveitar o que ficou conhecido como a "hulha branca": a força dos
rios. Uma breve história da electricidade, cá
A assembleia geral da EDP que se realiza hoje vai marcar um
passo decisivo na vida da empresa. A alteração dos estatutos e a eleição dos
novos órgãos sociais, que vão a votos, são já uma porta aberta para a saída do
Estado da empresa. Quanto à REN, quando em breve se alienarem os últimos 11,1%
que para já ficam em mãos públicas, também a empresa que gere as redes de
transporte de electricidade e gás deixará de ter representantes do Governo.
O que agora fica para trás é uma história marcada pela forte
presença do Estado nos últimos 70 anos, décadas antes do nascimento da EDP.
Foi em 1944 que se deram alguns dos passos mais importantes para
o que é hoje a empresa de electricidade portuguesa. José Ferreira Dias Júnior,
subsecretário de Estado da Indústria e do Comércio, elaborou a Lei 2002,
conhecida como Lei da Electrificação Nacional, e lançou as bases do sistema
eléctrico português.
No livro A História da Energia, coordenado por Nuno Luís
Madureira, recorda-se que uma das premissas desta estratégia foi permitir a
exploração dos principais rios através de centrais hídricas, criadas pelo
Estado. Objectivo? Aumentar a utilização dos recursos próprios do país e
diminuir a dependência energética - uma preocupação já nessa altura.
Com efeito, desde o início do século que Portugal era fortemente
dependente das importações de carvão britânico. Foi a chamada "hulha
negra", que durante várias décadas alimentou muitas centrais eléctricas,
recordam os autores de A Electricidade em Portugal: dos Primórdios à II Guerra
Mundial, de Ana Cardoso Matos, Fátima Mendes, Fernando Faria e Luís Cruz.
Com as paragens no fornecimento de carvão durante as duas
guerras mundiais, os portugueses sentiram o preço dessa dependência. Mas, como
o carvão português tinha menos poder calorífero do que o britânico, não era um
substituto à altura. A solução foi aproveitar o que ficou conhecido como a
"hulha branca": a força dos rios.
Foi o que se passou na região de Lisboa, por exemplo. Durante
muitas décadas o carvão tinha sido o principal combustível da Central Tejo,
onde funciona hoje o Museu da Electricidade. Construída em 1909 pelas
Companhias Reunidas de Gás e Electricidade, a central só perdeu o papel de
maior centro produtor eléctrico em Lisboa, quando a barragem e a central
hídrica de Castelo de Bode começaram a funcionar, em 1951. Finalmente, as luzes
de Lisboa passavam a ser alimentadas a hidroelectricidade.
Seis anos antes, no seguimento da nova Lei da Electrificação
Nacional, em 1945, tinham nascido a Hidroeléctrica do Cávado, para os rios
Cávado e Rabagão, e a Hidroeléctrica do Zêzere, as duas empresas de capitais
públicos e privados, que se lançam na construção de grandes barragens. Logo em
1951 entram em funcionamento a central hidroeléctrica de Vila Nova (Cávado) e
de Castelo do Bode (Zêzere), que três anos depois já representavam mais de 50%
da produção eléctrica portuguesa. Os preços praticados por estas duas empresas
transformam-se também numa referência para a distribuição nacional, fragmentada
em dezenas de grandes, médias e pequenas concessionárias.
Nos anos 50, nascem ainda a Hidroeléctrica do Douro e a Empresa
Termoeléctrica Portuguesa - esta última viria a ser responsável pelos projectos
de importantes centrais térmicas, a carvão e a fuelóleo, que anos depois
entraram em funcionamento, como as centrais da Tapada do Outeiro (começou a
operar em 1959, em Gondomar), do Carregado (final dos anos 60, Alenquer) e
Tunes (1973, em Silves), indicam Jaime Ferreira e João Figueira, no livro A
Electrificação no Centro de Portugal no Século XX. Entretanto, a "hulha
branca" tinha continuado a ganhar força: sucederam-se as centrais
hidroeléctricas de Belver (1952), Salamonde (1953), Cabril (1954), Bouçã e
Caniçada (1955) e Paradela (1958).
"De cortar à faca"
A estratégia concebida por Ferreira Dias será também intervir no
transporte e distribuição de electricidade, pois só assim seria possível tirar
proveito das novas fontes de energia: em 1947 nasce a Companhia Nacional de
Electricidade (CNE), precursora da REN. À semelhança das sociedades
hidroeléctricas, também a nova empresa era uma sociedade de capitais públicos e
privados, mas com uma forte presença do Estado. Viria a tornar-se responsável
pela construção e concessão da rede de transporte de electricidade em alta
tensão, ligando as centrais produtoras às redes de distribuição, que, por sua
vez, levavam a energia eléctrica às empresas e a casa das pessoas.
Ficou também estabelecido que os operadores que utilizassem a
nova rede de transporte teriam de pagar "portagem". Nada contentes
com a entrega do transporte de electricidade apenas à CNE ficaram as empresas
privadas, que continuavam a ter um forte peso na distribuição e comércio de
energia e não queriam perder esses direitos. Muitas eram accionistas da própria
CNE - como as Companhias Reunidas de Gás e Electricidade, a União Eléctrica
Portuguesa e a Companhia Hidroeléctrica do Norte de Portugal. Não é de admirar
que o ambiente nas reuniões de administração fosse por isso "de cortar à
faca", mas o Estado, que era o accionista com maiores poderes, acabou por
levar a melhor, descrevem os autores de A História da Energia.
E as mudanças não ficaram por aqui. Anos depois, em 1969, as
grandes companhias que tinham sido criadas depois da Lei de Electrificação
Nacional, incluindo a CNE, fundem-se na Empresa Portuguesa de Electricidade,
que passa a dominar a produção eléctrica e o transporte de electricidade.
Ao mesmo tempo, uma grande parte do sector mantinha-se nas mãos
de empresas e municípios, fruto das dezenas de iniciativas avulsas que marcaram
o nascimento da energia eléctrica. Há pouco mais de 100 anos, a forma como
muitas localidades foram trocando o gás pela electricidade deveu-se às acções
de carácter local. Por iniciativa privada ou de municípios (o pioneiro foi
Coimbra), quando o número de utilizadores não era atractivo para as empresas,
foram-se construindo pequenas centrais de energia eléctrica. Muitas vezes, eram
as próprias fábricas que vendiam às câmaras os excedentes da electricidade que
produziam ou que criavam empresas para esse efeito.
Tomar, por exemplo, começou a ter iluminação pública com a
compra dos excedentes da produção eléctrica à Real Fábrica de Fiação. Em Elvas,
logo em 1901, esse papel pertence à Companhia Elvense de Moagem, e em Reguengos
de Monsaraz à Moagem de António Rosado Caeiro. Em Famalicão, um caso curioso, a
electricidade chega pelas mãos da fábrica de relógios A Boa Reguladora.
Mário Mariano, na sua História da Electricidade, lembra que um
inquérito lançado em Portugal em 1928 veio revelar "um sistema produtor
eléctrico extremamente disperso, constituído por 395 centrais, das quais apenas
cinco de potência superior a 7000 cv".
As marcas da história também se notavam nas maiores cidades. No
Porto, durante muitas décadas era a câmara municipal que explorava a produção
de electricidade e a distribuição. Já em Lisboa, é de origem belga a maioria do
capital das Companhias Reunidas de Gás e Electricidade, responsáveis pelas
primeiras iluminações públicas ainda no final do século XIX.
Esta empresa é uma das que viriam a sobreviver até à
nacionalização, em 1975. No mesmo ano, por decreto publicado a 16 de Abril,
também a Companhia Portuguesa de Electricidade (de capitais mistos) e ainda
outras 12 empresas privadas, as maiores concessionárias na produção,
distribuição e comercialização, foram nacionalizadas. Entre estas contavam-se a
Aliança Eléctrica do Sul, a Companhia Eléctrica do Alentejo e do Algarve e a
Companhia Hidroeléctrica do Norte de Portugal.