terça-feira, 31 de março de 2026

AREP


Sobre a AREP

 


 

AREP – Associação de Solidariedade Social dos Trabalhadores e Reformados da EDP e da REN é uma instituição particular de solidariedade social (IPSS) com quase quatro décadas de atividade em Portugal,  sem fins lucrativos, focada no apoio aos seus associados. 

História e Resumo:

Fundação e Missão: Oficializada a 18 de junho de 1986, a AREP dedica-se ao apoio social, saúde e cultura para trabalhadores e reformados da EDP e REN, promovendo o envelhecimento ativo.

Funcionamento: Baseia-se no voluntariado exclusivo.

Evolução: Comemorou 35 anos em 2021 e o 37º aniversário em 2023.

Estrutura: Conta com Direção Central em Lisboa e delegações, organizando encontros e protocolo


Aqui está um resumo da sua história e propósito:

 

Fundação: Foi legalizada por escritura pública a 18 de junho de 1986 (publicada em Diário da República a 18 de julho do mesmo ano). O sócio n.º 1 foi José de Queiroz Monteiro Ralha. 

Missão: Apoiar trabalhadores e reformados do grupo EDP e da REN, bem como os seus cônjuges, em áreas como solidariedade social, saúde e cultura. 

Modelo de Gestão: A associação privilegia o voluntariado como forma exclusiva de assegurar as suas atividades. Tanto a Direção Central como as Delegações Regionais são compostas por dirigentes eleitos que trabalham de forma voluntária. 




Evolução e Marcos

O sócio n.º 1 foi José de Queiroz Monteiro Ralha.

Em 2021, a associação celebrou os seus 35 anos de atividade. de serviço, focando-se no apoio social e no envelhecimento ativo.

Atualmente, prepara a celebração dos seus 40 anos com um grande encontro nacional. reforçando o seu papel na mobilização dos associados para atividades recreativas e formativas.

Atuação: Organiza regularmente eventos como visitas culturais (ex: museu Quake), almoços de convívio regionais e programas de apoio à saúde, como a articulação com a Linha Única da EDP Sãvida. 

Para mais detalhes sobre a organização atual, pode consultar o site oficial da AREP.

Deseja saber mais sobre os benefícios para associados ou como encontrar a delegação mais próxima da sua área?

 

Missão e Atuação

A associação foca-se no apoio aos associados e cônjuges em três áreas fundamentais: 

Solidariedade Social: Apoio a quem mais precisa e combate à exclusão.

Saúde: Protocolos de apoio e parcerias, como descontos em serviços de apoio domiciliário.

Cultura e Lazer: Promoção de um envelhecimento ativo através de visitas culturais, almoços de confraternização e voluntariado. 

A AREP funciona essencialmente através de uma base de voluntariado, incluindo os seus próprios órgãos diretivos. 

Gostaria de saber mais sobre as delegações regionais ou como se tornar sócio da AREP?

 








Saber mais: https://arep.pt/arep/quem-somos/


Créditos:  AREP

segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

Central Termoeléctrica de Sines


 

Recuando três décadas e meia no tempo, até ao século passado, a termoelétrica a carvão começou a ser construída em 1979 e entrou em funcionamento em 1985, foi o maior centro produtor de energia no país, e convencional que utiliza como combustível o carvão fóssil importado.

Foi constituída por quatro grupos, cada um dos quais formando uma unidade produtora autónoma com gerador de vapor, turbina, alternador e transformador.

A decisão da sua construção insere-se na estratégia de diversificação de fontes de energia primária para a produção de energia eléctrica, após as crises petrolíferas de 1973 e 1979 que provocaram um enorme aumento nos custos dos produtos petrolíferos.

Iniciada a sua construção em 1979, ficou esta concluída em 1989, tendo o primeiro grupo entrado ao serviço em 1985.

A potência total instalada é de 1256 MW, 4 grupos de 314 MW, com um consumo unitário de 116 t/h à carga nominal com carvão de 27600 kJ/kg, o que em laboração permanente pode atingir um consumo total diário de cerca de 11000 toneladas de carvão.

O abastecimento de carvão é feito a partir do cais mineraleiro do porto de Sines, por tapete transportador coberto até ao parque de carvão, cuja capacidade de armazenagem de 1.5 milhões de toneladas é equivalente a 5 meses de funcionamento da Central a plena carga.

A energia eléctrica produzida na Central é lançada na rede de transporte através de linhas de alta tensão, a 150 kV para o 1º grupo e a 400 kV para os restantes grupos.

A Licença de Estabelecimento foi concedida em Março de 1981 tendo a entrada em serviço industrial ocorrido em 1985, 86, 87 e 89, respectivamente para os 4 grupos



Produziu 294 TWh de energia ao longo da sua vida, chegando a abastecer um terço da população. tendo destronado a unidade a fuelóleo da EDP em Setúbal (que chegou a abastecer 25% do consumo nacional) como a maior central de produção de energia em Portugal. Construir a central de Sines custou 650 milhões de euros (a preços de 1983).

Na altura as preocupações climáticas estavam ainda bem longe: Portugal queimava 5.280 toneladas de fuelóleo por dia para garantir o abastecimento de energia elétrica ao país. Mas as crises petrolíferas da década de 70 fizeram entrar o carvão em cena para assegurar um nível de “potência instalada” no país necessária à satisfação dos consumos nacionais e permitir a diversificação das fontes de energia primária.

Depressa, um terço da energia elétrica consumida em Portugal passou a vir de Sines, e do carvão: 29% nos anos 90, 20% na década de 2000 e 15% na década de 2010. Em 2020 o carvão foi responsável por apenas 4% da eletricidade produzida em Portugal. A central de Sines tem 4 grupos geradores. Inicialmente cada grupo tinha 300 MW de potência, reforçada mais tarde para 314 MW, somando um total de potência instalada de 1.256 MW e de produção (potência disponível/emissão para a rede nacional) de 1.180 MWh.

Ao longo da sua vida, a maior central de produção de energia do país produziu 294 TWh, tendo emitido para a rede nacional 274 TWh (5,5 vezes o consumo nacional do ano de 2019, segundo dados REN), o que equivale a abastecer uma população de 60 milhões de pessoas durante um ano.

Já o parque de carvão tinha capacidade para cerca de 1,3 milhões de toneladas. A central recebia 24 a 25 navios de carvão por ano. Ao longo da vida da central foram consumidas (e passaram pelo parque de carvão) 105 milhões de toneladas, o equivalente a 699 navios de 150 quilotoneladas. Cada tonelada de carvão dava para produzir cerca de 2,7 MWh, diz a EDP, a mesma energia que permite, por exemplo, numa hora manter acesas 273.043 lâmpadas LED com 10W de potência.

O carvão que abastecia Sines e as casas dos portugueses com eletricidade vinha da Colômbia (60/70%) e dos EUA (5/10% – sendo que ultimamente chegou aos 20%, após o impacto do shale gas que permitiu aos EUA comercializar carvão de melhor equilíbrio técnico/ambiental/económico). O restante provinha da África do Sul ou Rússia e, em anos anteriores, também da Indonésia, mas com o conflito com Timor-Leste esse carvão deixou de fazer parte do cabaz de aquisições.

Apesar de responsável por 15% das emissões poluentes de Portugal, a EDP garante que “a central cumpriu sempre os seus compromissos de sustentabilidade e, após vários investimentos em tecnologia e sistemas de proteção ambiental – que somaram mais de 400 milhões de euros investidos ao longo dos anos – tornou-se numa das mais eficientes centrais a carvão na Europa”.


EDP promove exposição sobre os últimos dias da Central de Sines

“Histórias de um passado recente” conta como foram os últimos meses da central a carvão. Exposição promovida pela EDP para celebrar as pessoas que fizeram a sua história nos últimos 35 anos abre ao público hoje, em Sines.

As memórias recentes da maior central termoelétrica do país estão no centro da exposição de fotografia que abre as portas ao público esta sexta-feira, 23 de julho, no centro da cidade de Sines. Ao longo de dezenas de imagens registadas pelo fotógrafo Paulo Coelho nos últimos meses de operação da central da EDP, é possível descobrir ou revisitar o espaço industrial onde trabalhadores, máquinas e carvão produziram energia durante mais de 35 anos.

A exposição ‘Histórias de um passado recente’ – organizada pela EDP Produção com o apoio da Câmara de Sines – é assim uma homenagem a todos os que fizeram parte da vida desta central e à comunidade onde se estabeleceu ainda na década de 1980. Com curadoria de Hugo Dinis, a mostra de fotografia poderá ser visitada no espaço da Capela da Misericórdia, junto ao Castelo de Sines, até ao dia 23 de outubro.

Desde as caldeiras gigantes ao labirinto de tubos e aparelhos de controlo, passando pelas montanhas de carvão e as imponentes chaminés, com 225 metros de altura, que ainda marcam a paisagem de Sines, são muitas as imagens e referências que se podem ver nesta exposição – em todas elas, as pessoas são figuras centrais e a principal motivação para recordar o seu trabalho e contributo.

Inaugurada em 1985, a Central Termoelétrica de Sines foi o maior centro produtor de energia no país: produziu 294 TWh de energia ao longo da sua vida, chegando a abastecer um terço da população. Famosa também por contribuir para as águas quentes da praia de São Torpes – devido à proximidade da saída de água do mar usada para refrigerar a central – encerrou em definitivo no passado dia 15 de janeiro. A decisão de fecho, enquadrada na estratégia de descarbonização da EDP e alinhada com as metas de transição energética do país, foi tomada num contexto em que a produção de energia depende cada vez mais de fontes renováveis.

A Capela da Misericórdia de Sines reabre ao público com esta exposição de fotografia, após obras de restauro promovidas pela Santa Casa da Misericórdia de Sines e financiada por fundos comunitários, com o apoio da Câmara de Sines. Com mais de quatro séculos de história, este património é agora um espaço cultural privilegiado enquadrado no grande eixo que liga o Centro de Artes ao Castelo/ Museu de Sines onde acabaram de ser inaugurados os espaços da Casa Forte e a Fábrica Romana.

 

“Histórias de um passado recente - Central Termoeléctrica de Sines “

Fotografia: Paulo Coelho

Curadoria: Hugo Dinis

Local: Capela da Misericórdia de Sines

Datas: de 23 de julho a 23 de outubro de 2021

Horários: 10h-13h / 14h30-18h (encerra às segundas)

Acesso: gratuito – condicionado a regras de proteção Covid (uso obrigatório de máscara e desinfeção de mãos)

 

Curador Hugo Dinis

Hugo Dinis (Lisboa, 1977) licenciou-se em Artes Plásticas – Pintura (1998/2004), na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa. Realizou a Pós-graduação em Estudos Curatoriais (2005/06), na mesma faculdade e na Fundação Calouste Gulbenkian.

Venceu o Prémio de Curadoria do Atelier-Museu Júlio Pomar/EGEAC 2016, com o projeto Estranhos dias recentes de um tempo menos feliz (2017).

Comissariou a exposição Eu (título em construção) (2015), Espaço Novo Banco, Lisboa. Comissariou a exposição intitulada Desedificar o homem (2008), Galeria Municipal Paços do Concelho, Dois paços Galeria Municipal e Transforma em Torres Vedras, no âmbito do projeto itinerante Antena da Fundação Serralves, Porto. Comissariou, conjuntamente com Emília Ferreira, a exposição individual Encontro às Cegas (2020) de Pedro Gomes, Museu Nacional de Arte Contemporânea (MNAC), Lisboa. Realizou a curadoria da exposição individual Bela e Má (2019) de Ana Vidigal, Museu Leopoldo de Almeida, Caldas da Rainha.

Trabalhou como assistente na Galeria 111 (2008/11) e na Galeria Filomena Soares (2011/16), ambas em Lisboa. Colaborou como produtor, investigador e curador no Atelier-Museu Júlio Pomar/EGEAC (2017/19).

Desde 2020, trabalha na Culturgest como assistente de produção da Coleção da Caixa Geral de Depósitos.

 

Paulo Alexandre Coelho
Paulo Coelho (Cascais, 1981) licenciou-se na Escola Profissional de Comunicação e Imagem. Tem o curso profissional de Técnicas Audiovisuais (EPCI). Henri Cartier-Bresson e James Nachtwey foram a sua inspiração e influência na decisão de se dedicar ao fotojornalismo.
Iniciou a sua carreira profissional no Diário de Notícias, esteve no jornal desportivo "O Jogo" e, em 2006, é convidado a integrar os quadros do extinto Semanário Económico. De 2009 a 2016, pertenceu à equipa de fotografia do Diário Económico.
Realizou em parceria com a AMI (Assistência Médica Internacional) um projeto fotográfico sobre o arquipélago dos Bijagós, na Guiné Bissau, que resultou numa exposição, que esteve patente em Lisboa, Porto e Monforte (2009).

Em 2017, participou da exposição coletiva “Uma imagem solidária”, onde o valor da venda de fotografias foi doado aos Bombeiro Voluntários de Castanheira de Pêra.

Participou na exposição coletiva com o tema “trabalho”, organizada pelo Sindicato de Jornalistas, no teatro São Jorge (2019). Esta exposição fez parte do programa do congresso dos jornalistas, e foi inaugurada pela Sua Excelência Senhor Presidente da República, Professor Doutor Marcelo Rebelo de Sousa.











sábado, 21 de janeiro de 2023

Evoluçao da Marca

 Evoluçao da Marca ou Logotipo da EDP desde 1978 ate 1993 





EDP em 2022 apresenta nova imagem inspirada na transição energética

A EDP mudou de imagem, substituindo o logótipo vermelho que foi sinónimo da marca nos últimos onze anos.

Sob o mote "a mudar, já hoje, o amanhã", a empresa diz que quer "falar a uma só voz", e substitui o símbolo vermelho (que assumia, em função do contexto, pequenas variações) por um único desenho: uma espiral que transita de verde para azul, com o nome da companhia colocado ao lado do ícone, em letras minúsculas estilizadas.

Foi perante uma plateia de mais de uma centena de colaboradores da empresa reunidos no Museu da Eletricidade, em Lisboa (e com transmissão em direto para os outros 13 mil funcionários da companhia) que o CEO da EDP apresentou a nova imagem. Por coincidência, exatamente 5 anos depois das buscas na empresa que mais tarde haveriam de ditar a saída da empresa do então líder António Mexia.

Num local (a antiga Central Tejo, que durante décadas forneceu energia à região de Lisboa e foi convertida em museu) que Miguel Stilwell considerou "apropriado" para o evento, que representa um "passo em frente" na transformação da energética, que quer "acelerar a concretização da ambição de liderar a transição energética e crescer enquanto companhia global".

Stilwell garante que a EDP "continua a ver com preocupação os desafios que o mundo enfrenta" e realçou que "sem alterações estruturais na forma como vivemos, será impossível limitar o aumento da temperatura", o que vai tornar "imprevisível" a vida no planeta".

Os efeitos da guerra na Ucrânia não ficaram esquecidos: "Como se as alterações climáticas não fossem suficientes", continuou o presidente executivo da EDP, "a crise energética e humanitária que o mundo vive há vários meses não deixa dúvidas que a dependência dos combustíveis fósseis provoca instabilidade e aumento de preços e pode ter um impacto muito negativo na vida das pessoas". "O conflito", lamentou, "piorou uma crise energética que enfraquece as nossas economias, aumenta a desigualdade social, provoca instabilidade em todo o mundo e enfraquece quem depende de matérias-primas" da Ucrânia e da Rússia.

Para Miguel Stilwell, "não há dúvida absolutamente nenhuma" que precisamos de "mais investimento em fontes limpas de energia". "Já não é apenas uma questão de atingir metas ambientais, é uma questão de independência energética e também de custos".

"À medida que a companhia evolui, a nossa identidade gráfica tem de acompanhar", explicou a empresa no evento.

A decisão é tomada depois da empresa ter "reforçado o compromisso com a transição energética, assumindo um investimento de 24 mil milhões de euros até 2025", assegurou a EDP.

 


Por: Hugo Neutel
 






 



quarta-feira, 11 de janeiro de 2023

Assistência á Clientela, anos 90


 

Que saudades! Uma vez demos corpo a uma campanha publicitária criada para o lançamento de um novo logotipo da EDP. A loja do Marquês de Pombal representada por nós, o António Favinha, a Ana Rego e eu. Tempos fabulosos, uma equipa incrível que vestia a camisola e dava tudo para vender a imagem de uma empresa próxima dos seus clientes e disponível para arranjar as melhores soluções para todos. E estávamos lá, de coração.


Publico aqui uma foto minha ainda ao serviço da EDP nos idos de 2010 ou 2011

Créditos e testemunho de Ana Bela Couteiro

 


CRGE-COMPANHIAS REUNIDAS DE GÁS E ELETRICIDADE

http://garfadasonline.blogspot.com/2013/05/o-ferro-de-engomar-electrico-nas.html


Clube do Pessoal da EDP


 

História

O Clube do Pessoal da EDP, foi fundado em 24 de Novembro de 1976, e resultou da fusão dos vários CAT’S e Clubes existentes nas Empresas Eléctricas que constituíram a EDP.

Logo as suas raízes encontram-se muito mais atrás no tempo, uma vez que, nas Empresas fusionadas na EDP, já existiam estruturas idênticas, como é o caso da Hidroeléctrica do Cávado, Hidroeléctrica do Zêzere, Companhia Nacional de Electricidade. Hidroeléctrica do Douro, Empresa Termoeléctrica Portuguesa, que se fundiram em 1969, na Companhia Portuguesa de Electricidade, e das Companhias Reunidas de Gás e Electricidade, Companhia Eléctrica das Beiras, Empresa Hidroeléctrica da Serra da Estrela, Electra del Lima, União Eléctrica Portuguesa, Hidroeléctrica do Alto Alentejo, Chenop e outras.

A sua Sede é na Cidade do Porto e isso resulta de ter sido no Norte do País onde existiam mais profundas raízes e maior implantação, pois, praticamente desde que se iniciou a construção de aproveitamentos hidroeléctricos em 1945, foram criadas funções de entretenimento dos seus Associados, que permitiam esquecer o isolamento geográfico e cultural a que, naquela altura, os Trabalhadores estavam sujeitos, ou seja, afastados dos grandes centros urbanos.

O Clube EDP tem, actualmente, à volta de 70 Delegações, distribuídas por todo o Território Nacional, e, aproximadamente 15.000 Associados, que inclui algumas centenas de Trabalhadores da Rede Eléctrica Nacional, aos quais proporciona a prática de actividades culturais, desportivas, recreativas, sociais, e é gerido por uma Direcção, que representa o Clube.




Logotipos utilizados pelo Clube ao longo destes 46 anos

1976

1991

1994

2004

2022



SABER MAIS :  https://lisboa.clubeedp.pt/










Antes da EDP e da REN, existiam 14 companhias


 A EMPRESA PROPRIETÁRIA DA CENTRAL TEJO, A COMPANHIAS REUNIDAS DE GÁS E ELECTRICIDADE, SOBREVIVEU ATÉ À NACIONALIZAÇÃO EM 1975

Portugal era, no princípio do século XX, um país fortemente dependente das importações de carvão britânico, a chamada "hulha negra". Com as paragens de fornecimento durante as guerras, a solução foi aproveitar o que ficou conhecido como a "hulha branca": a força dos rios. Uma breve história da electricidade, cá

A assembleia geral da EDP que se realiza hoje vai marcar um passo decisivo na vida da empresa. A alteração dos estatutos e a eleição dos novos órgãos sociais, que vão a votos, são já uma porta aberta para a saída do Estado da empresa. Quanto à REN, quando em breve se alienarem os últimos 11,1% que para já ficam em mãos públicas, também a empresa que gere as redes de transporte de electricidade e gás deixará de ter representantes do Governo.

O que agora fica para trás é uma história marcada pela forte presença do Estado nos últimos 70 anos, décadas antes do nascimento da EDP.

Foi em 1944 que se deram alguns dos passos mais importantes para o que é hoje a empresa de electricidade portuguesa. José Ferreira Dias Júnior, subsecretário de Estado da Indústria e do Comércio, elaborou a Lei 2002, conhecida como Lei da Electrificação Nacional, e lançou as bases do sistema eléctrico português.

No livro A História da Energia, coordenado por Nuno Luís Madureira, recorda-se que uma das premissas desta estratégia foi permitir a exploração dos principais rios através de centrais hídricas, criadas pelo Estado. Objectivo? Aumentar a utilização dos recursos próprios do país e diminuir a dependência energética - uma preocupação já nessa altura.

Com efeito, desde o início do século que Portugal era fortemente dependente das importações de carvão britânico. Foi a chamada "hulha negra", que durante várias décadas alimentou muitas centrais eléctricas, recordam os autores de A Electricidade em Portugal: dos Primórdios à II Guerra Mundial, de Ana Cardoso Matos, Fátima Mendes, Fernando Faria e Luís Cruz.

Com as paragens no fornecimento de carvão durante as duas guerras mundiais, os portugueses sentiram o preço dessa dependência. Mas, como o carvão português tinha menos poder calorífero do que o britânico, não era um substituto à altura. A solução foi aproveitar o que ficou conhecido como a "hulha branca": a força dos rios.

Foi o que se passou na região de Lisboa, por exemplo. Durante muitas décadas o carvão tinha sido o principal combustível da Central Tejo, onde funciona hoje o Museu da Electricidade. Construída em 1909 pelas Companhias Reunidas de Gás e Electricidade, a central só perdeu o papel de maior centro produtor eléctrico em Lisboa, quando a barragem e a central hídrica de Castelo de Bode começaram a funcionar, em 1951. Finalmente, as luzes de Lisboa passavam a ser alimentadas a hidroelectricidade.

Seis anos antes, no seguimento da nova Lei da Electrificação Nacional, em 1945, tinham nascido a Hidroeléctrica do Cávado, para os rios Cávado e Rabagão, e a Hidroeléctrica do Zêzere, as duas empresas de capitais públicos e privados, que se lançam na construção de grandes barragens. Logo em 1951 entram em funcionamento a central hidroeléctrica de Vila Nova (Cávado) e de Castelo do Bode (Zêzere), que três anos depois já representavam mais de 50% da produção eléctrica portuguesa. Os preços praticados por estas duas empresas transformam-se também numa referência para a distribuição nacional, fragmentada em dezenas de grandes, médias e pequenas concessionárias.

Nos anos 50, nascem ainda a Hidroeléctrica do Douro e a Empresa Termoeléctrica Portuguesa - esta última viria a ser responsável pelos projectos de importantes centrais térmicas, a carvão e a fuelóleo, que anos depois entraram em funcionamento, como as centrais da Tapada do Outeiro (começou a operar em 1959, em Gondomar), do Carregado (final dos anos 60, Alenquer) e Tunes (1973, em Silves), indicam Jaime Ferreira e João Figueira, no livro A Electrificação no Centro de Portugal no Século XX. Entretanto, a "hulha branca" tinha continuado a ganhar força: sucederam-se as centrais hidroeléctricas de Belver (1952), Salamonde (1953), Cabril (1954), Bouçã e Caniçada (1955) e Paradela (1958).



"De cortar à faca"

A estratégia concebida por Ferreira Dias será também intervir no transporte e distribuição de electricidade, pois só assim seria possível tirar proveito das novas fontes de energia: em 1947 nasce a Companhia Nacional de Electricidade (CNE), precursora da REN. À semelhança das sociedades hidroeléctricas, também a nova empresa era uma sociedade de capitais públicos e privados, mas com uma forte presença do Estado. Viria a tornar-se responsável pela construção e concessão da rede de transporte de electricidade em alta tensão, ligando as centrais produtoras às redes de distribuição, que, por sua vez, levavam a energia eléctrica às empresas e a casa das pessoas.

Ficou também estabelecido que os operadores que utilizassem a nova rede de transporte teriam de pagar "portagem". Nada contentes com a entrega do transporte de electricidade apenas à CNE ficaram as empresas privadas, que continuavam a ter um forte peso na distribuição e comércio de energia e não queriam perder esses direitos. Muitas eram accionistas da própria CNE - como as Companhias Reunidas de Gás e Electricidade, a União Eléctrica Portuguesa e a Companhia Hidroeléctrica do Norte de Portugal. Não é de admirar que o ambiente nas reuniões de administração fosse por isso "de cortar à faca", mas o Estado, que era o accionista com maiores poderes, acabou por levar a melhor, descrevem os autores de A História da Energia.

E as mudanças não ficaram por aqui. Anos depois, em 1969, as grandes companhias que tinham sido criadas depois da Lei de Electrificação Nacional, incluindo a CNE, fundem-se na Empresa Portuguesa de Electricidade, que passa a dominar a produção eléctrica e o transporte de electricidade.

Ao mesmo tempo, uma grande parte do sector mantinha-se nas mãos de empresas e municípios, fruto das dezenas de iniciativas avulsas que marcaram o nascimento da energia eléctrica. Há pouco mais de 100 anos, a forma como muitas localidades foram trocando o gás pela electricidade deveu-se às acções de carácter local. Por iniciativa privada ou de municípios (o pioneiro foi Coimbra), quando o número de utilizadores não era atractivo para as empresas, foram-se construindo pequenas centrais de energia eléctrica. Muitas vezes, eram as próprias fábricas que vendiam às câmaras os excedentes da electricidade que produziam ou que criavam empresas para esse efeito.

Tomar, por exemplo, começou a ter iluminação pública com a compra dos excedentes da produção eléctrica à Real Fábrica de Fiação. Em Elvas, logo em 1901, esse papel pertence à Companhia Elvense de Moagem, e em Reguengos de Monsaraz à Moagem de António Rosado Caeiro. Em Famalicão, um caso curioso, a electricidade chega pelas mãos da fábrica de relógios A Boa Reguladora.

Mário Mariano, na sua História da Electricidade, lembra que um inquérito lançado em Portugal em 1928 veio revelar "um sistema produtor eléctrico extremamente disperso, constituído por 395 centrais, das quais apenas cinco de potência superior a 7000 cv".

As marcas da história também se notavam nas maiores cidades. No Porto, durante muitas décadas era a câmara municipal que explorava a produção de electricidade e a distribuição. Já em Lisboa, é de origem belga a maioria do capital das Companhias Reunidas de Gás e Electricidade, responsáveis pelas primeiras iluminações públicas ainda no final do século XIX.

Esta empresa é uma das que viriam a sobreviver até à nacionalização, em 1975. No mesmo ano, por decreto publicado a 16 de Abril, também a Companhia Portuguesa de Electricidade (de capitais mistos) e ainda outras 12 empresas privadas, as maiores concessionárias na produção, distribuição e comercialização, foram nacionalizadas. Entre estas contavam-se a Aliança Eléctrica do Sul, a Companhia Eléctrica do Alentejo e do Algarve e a Companhia Hidroeléctrica do Norte de Portugal.

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