Recuando três décadas e meia no tempo, até ao século
passado, a termoelétrica a carvão
começou a ser construída em 1979 e entrou em funcionamento em 1985, foi o
maior centro produtor de energia no país, e convencional que utiliza como combustível o
carvão fóssil importado.
Foi constituída por quatro grupos, cada um dos
quais formando uma unidade produtora autónoma com gerador de vapor, turbina,
alternador e transformador.
A decisão da sua construção insere-se na
estratégia de diversificação de fontes de energia primária para a produção de
energia eléctrica, após as crises petrolíferas de 1973 e 1979 que provocaram um
enorme aumento nos custos dos produtos petrolíferos.
Iniciada a sua construção em 1979, ficou esta
concluída em 1989, tendo o primeiro grupo entrado ao serviço em 1985.
A potência total instalada é de 1256 MW, 4
grupos de 314 MW, com um consumo unitário de 116 t/h à carga nominal com carvão
de 27600 kJ/kg, o que em laboração permanente pode atingir um consumo total
diário de cerca de 11000 toneladas de carvão.
O abastecimento de carvão é feito a partir do
cais mineraleiro do porto de Sines, por tapete transportador coberto até ao
parque de carvão, cuja capacidade de armazenagem de 1.5 milhões de toneladas é
equivalente a 5 meses de funcionamento da Central a plena carga.
A energia eléctrica produzida na Central é
lançada na rede de transporte através de linhas de alta tensão, a 150 kV para o
1º grupo e a 400 kV para os restantes grupos.
A Licença de Estabelecimento foi concedida em
Março de 1981 tendo a entrada em serviço industrial ocorrido em 1985, 86, 87 e
89, respectivamente para os 4 grupos
Produziu 294 TWh de energia ao longo da sua
vida, chegando a abastecer um terço da população. tendo destronado a unidade a
fuelóleo da EDP em Setúbal (que chegou a abastecer 25% do consumo nacional) como a
maior central de produção de energia em Portugal. Construir a central de Sines custou 650
milhões de euros (a preços de 1983).
Na altura as preocupações climáticas estavam ainda bem longe:
Portugal queimava 5.280 toneladas de fuelóleo por dia para garantir o
abastecimento de energia elétrica ao país. Mas as crises
petrolíferas da década de 70 fizeram entrar o carvão em cena para assegurar um nível de
“potência instalada” no país necessária à satisfação dos consumos nacionais
e permitir a diversificação das
fontes de energia primária.
Depressa, um terço da energia elétrica consumida em Portugal
passou a vir de Sines, e do carvão: 29% nos anos 90, 20% na década de 2000
e 15% na década de 2010. Em 2020 o carvão foi responsável por apenas 4% da
eletricidade produzida em Portugal. A central de Sines tem 4 grupos geradores.
Inicialmente cada grupo tinha 300 MW de potência, reforçada mais tarde para 314
MW, somando um total de potência instalada de 1.256 MW e de produção (potência disponível/emissão
para a rede nacional) de 1.180 MWh.
Ao longo da sua vida, a maior central de produção de energia do
país produziu 294 TWh, tendo
emitido para a rede nacional 274 TWh (5,5 vezes o consumo nacional do ano de
2019, segundo dados REN), o que equivale a abastecer uma população de 60
milhões de pessoas durante um ano.
Já o parque
de carvão tinha capacidade para cerca de 1,3 milhões de toneladas. A central
recebia 24 a 25 navios de carvão por ano. Ao longo da vida da central foram
consumidas (e passaram pelo parque de carvão) 105 milhões de toneladas,
o equivalente a 699 navios de 150 quilotoneladas. Cada tonelada de carvão dava para produzir
cerca de 2,7 MWh, diz a EDP, a mesma energia que permite, por
exemplo, numa hora manter acesas 273.043 lâmpadas LED com 10W de potência.
O carvão que abastecia Sines e as casas dos portugueses com
eletricidade vinha da Colômbia (60/70%) e dos EUA (5/10% – sendo que
ultimamente chegou aos 20%, após o impacto do shale gas que permitiu aos EUA comercializar
carvão de melhor equilíbrio técnico/ambiental/económico). O restante provinha
da África do Sul ou Rússia e, em anos anteriores, também da Indonésia, mas com
o conflito com Timor-Leste esse carvão deixou de fazer parte do cabaz de
aquisições.
Apesar de responsável por 15% das emissões poluentes de
Portugal, a EDP garante que “a central
cumpriu sempre os seus compromissos de sustentabilidade e,
após vários investimentos em tecnologia e sistemas de proteção ambiental – que
somaram mais de 400 milhões de euros investidos ao longo dos anos – tornou-se
numa das mais eficientes centrais a carvão na Europa”.
EDP
promove exposição sobre os últimos dias da Central de Sines
“Histórias de um passado
recente” conta como foram os últimos meses da central a carvão. Exposição
promovida pela EDP para celebrar as pessoas que fizeram a sua história nos
últimos 35 anos abre ao público hoje, em Sines.
As memórias recentes da maior central termoelétrica do país
estão no centro da exposição de fotografia que abre as portas ao público esta
sexta-feira, 23 de julho, no centro da cidade de Sines. Ao longo de dezenas de
imagens registadas pelo fotógrafo Paulo
Coelho nos últimos meses de operação da central da EDP, é
possível descobrir ou revisitar o espaço industrial onde trabalhadores,
máquinas e carvão produziram energia durante mais de 35 anos.
A exposição ‘Histórias
de um passado recente’ – organizada pela EDP Produção com o
apoio da Câmara de Sines – é assim uma homenagem a todos os que fizeram parte
da vida desta central e à comunidade onde se estabeleceu ainda na década de
1980. Com curadoria de Hugo
Dinis, a mostra de fotografia poderá ser visitada no
espaço da Capela da
Misericórdia, junto ao Castelo de Sines, até ao dia 23 de
outubro.
Desde as caldeiras gigantes ao labirinto de tubos e aparelhos de
controlo, passando pelas montanhas de carvão e as imponentes chaminés, com 225
metros de altura, que ainda marcam a paisagem de Sines, são muitas as imagens e
referências que se podem ver nesta exposição – em todas elas, as pessoas são
figuras centrais e a principal motivação para recordar o seu trabalho e
contributo.
Inaugurada em 1985, a Central Termoelétrica de Sines foi o maior
centro produtor de energia no país: produziu 294 TWh de energia ao longo da sua
vida, chegando a abastecer um terço da população. Famosa também por contribuir
para as águas quentes da praia de São Torpes – devido à proximidade da saída de
água do mar usada para refrigerar a central – encerrou em definitivo no passado
dia 15 de janeiro. A decisão de fecho, enquadrada na estratégia de descarbonização da
EDP e alinhada com as metas de transição
energética do país, foi tomada num contexto em que a
produção de energia depende cada vez mais de fontes renováveis.
A Capela da Misericórdia de Sines reabre ao público com esta
exposição de fotografia, após obras de restauro promovidas pela Santa Casa da
Misericórdia de Sines e financiada por fundos comunitários, com o apoio da
Câmara de Sines. Com mais de quatro séculos de história, este património é
agora um espaço cultural privilegiado enquadrado no grande eixo que liga o
Centro de Artes ao Castelo/ Museu de Sines onde acabaram de ser inaugurados os
espaços da Casa Forte e a Fábrica Romana.
“Histórias de um passado recente - Central Termoeléctrica de
Sines “
Fotografia: Paulo Coelho
Curadoria: Hugo Dinis
Local: Capela da Misericórdia de Sines
Datas: de 23 de julho a 23 de outubro de 2021
Horários: 10h-13h / 14h30-18h (encerra às segundas)
Acesso: gratuito – condicionado a regras de proteção Covid (uso
obrigatório de máscara e desinfeção de mãos)
Curador Hugo Dinis
Hugo Dinis (Lisboa, 1977) licenciou-se em Artes Plásticas –
Pintura (1998/2004), na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa.
Realizou a Pós-graduação em Estudos Curatoriais (2005/06), na mesma faculdade e
na Fundação Calouste Gulbenkian.
Venceu o Prémio de Curadoria do Atelier-Museu Júlio Pomar/EGEAC
2016, com o projeto Estranhos dias recentes de um tempo menos feliz (2017).
Comissariou a exposição Eu (título em construção) (2015), Espaço
Novo Banco, Lisboa. Comissariou a exposição intitulada Desedificar o homem
(2008), Galeria Municipal Paços do Concelho, Dois paços Galeria Municipal e
Transforma em Torres Vedras, no âmbito do projeto itinerante Antena da Fundação
Serralves, Porto. Comissariou, conjuntamente com Emília Ferreira, a exposição
individual Encontro às Cegas (2020) de Pedro Gomes, Museu Nacional de Arte
Contemporânea (MNAC), Lisboa. Realizou a curadoria da exposição individual Bela
e Má (2019) de Ana Vidigal, Museu Leopoldo de Almeida, Caldas da Rainha.
Trabalhou como assistente na Galeria 111 (2008/11) e na Galeria
Filomena Soares (2011/16), ambas em Lisboa. Colaborou como produtor,
investigador e curador no Atelier-Museu Júlio Pomar/EGEAC (2017/19).
Desde 2020, trabalha na Culturgest como assistente de produção
da Coleção da Caixa Geral de Depósitos.
Paulo Alexandre Coelho
Paulo Coelho (Cascais, 1981) licenciou-se na Escola Profissional de Comunicação
e Imagem. Tem o curso profissional de Técnicas Audiovisuais (EPCI). Henri
Cartier-Bresson e James Nachtwey foram a sua inspiração e influência na decisão
de se dedicar ao fotojornalismo.
Iniciou a sua carreira profissional no Diário de Notícias, esteve no jornal
desportivo "O Jogo" e, em 2006, é convidado a integrar os
quadros do extinto Semanário Económico. De 2009 a 2016, pertenceu à equipa de
fotografia do Diário Económico.
Realizou em parceria com a AMI (Assistência Médica Internacional) um projeto
fotográfico sobre o arquipélago dos Bijagós, na Guiné Bissau, que resultou numa
exposição, que esteve patente em Lisboa, Porto e Monforte (2009).
Em 2017, participou da exposição coletiva “Uma imagem
solidária”, onde o valor da venda de fotografias foi doado aos Bombeiro
Voluntários de Castanheira de Pêra.
Participou na exposição coletiva com o tema “trabalho”,
organizada pelo Sindicato de Jornalistas, no teatro São Jorge (2019). Esta
exposição fez parte do programa do congresso dos jornalistas, e foi inaugurada
pela Sua Excelência Senhor Presidente da República, Professor Doutor
Marcelo Rebelo de Sousa.

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